A história sobre o Dia Internacional da Mulher

A história sobre o Dia Internacional da Mulher

Dia Internacional da Mulher ou Dia da Mulher é comemorado anualmente em 8 de março e é considerado um feriado nacional.

Trata-se de uma celebração de conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres ao longo dos anos, sendo adotado pela Organização das Nações Unidas e, consequentemente, por diversos países.

Origem e História do Dia Internacional da Mulher

A comemoração do Dia Internacional da Mulher foi oficializada em 1921, mas o marco oficial para a escolha da data em 8 de março foi uma manifestação das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho, acontecimento que data de 8 de março de 1917.

Essa manifestação, que contou com mais de 90 mil russas ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial e ficou conhecida como “Pão e Paz”. Veja imagem abaixo: 

C:\Users\Marketing\Pictures\BLOG\DIA DAS MULHERES- MANIFESTAÇÃO PAO E PAZ.PNG

Anterior ao movimento das operárias russas, em 1908 houve uma greve das mulheres que trabalhavam numa fábrica de confecção de camisas chamada Triangle Shirtwaist Company, localizada em Nova York.

Em 28 fevereiro de 1909 aconteceu a primeira celebração das mulheres nos Estados Unidos. Esse evento surgiu inspirado na greve das operárias da fábrica de tecidos que ocorreu em 1908.

1ª greve geral no Brasil foi iniciada por mulheres:

Em junho de 1917, as operárias do Cotonifício Rodolfo Crespi, indústria têxtil no município de São Paulo, no bairro da Mooca, entraram em greve por melhores condições de trabalho e em protesto por seus salários serem muito inferiores aos de seus companheiros do sexo masculino. A violenta repressão contra as manifestações em apoio ao movimento grevista causou a indignação popular e levaram à primeira greve geral de trabalhadores do Brasil.Cotonifício Rodolfo Crespi

Em junho de 1917, décadas antes da consolidação das leis trabalhistas no Brasil (CLT), cerca de 400 operários – em sua maioria mulheres – da fábrica têxtil Cotonifício, paralisaram suas atividades. (Crédito: BBC Brasil)

Mas, a luta das mulheres por melhores condições de vida e trabalho começou a partir do final do século XIX, principalmente na Europa e nos Estados Unidos.

As jornadas de trabalho de 15 horas diárias, os baixos salários e a discriminação de gênero eram alguns dos pontos que eram debatidos pelas manifestantes da época.

C:\Users\Marketing\Pictures\BLOG\mulheres operarias.PNG

Foto: Mulheres operárias em seu âmbito de trabalho.

De acordo com registros históricos, o primeiro Dia da Mulher foi celebrado nos Estados Unidos em maio de 1908, onde mais de 1.500 mulheres se uniram em prol da igualdade política e econômica no país.

Em 1910, realizou-se na Dinamarca a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas. Na ocasião, Clara Zetkin, jornalista e do Partido Comunista Alemão, propôs a criação de um dia dedicado às mulheres.

Muitas das conquistas obtidas pelas mulheres no decorrer do século XX são o resultado da militância e da prática teórica da alemã Clara Zetkin (1857-1933) e da russa Alexandra Kollontai (1872-1952).  Ambas dedicaram grande parte de suas vidas à causa socialista e à tarefa de construção de uma nova sociedade. Atuaram, ademais, na luta pela emancipação da mulher, escrevendo, debatendo e organizando trabalhadoras nos movimentos de mulheres socialistas.

Mas a mais destacada organizadora do feminismo socialista foi Clara Zetkin, professora, jornalista e militantes política. De todas as feministas socialistas é ela quem dá prioridade à organização e à militância com as mulheres, fundado em 1890 a revista Igualdade, órgão do movimento feminino operário alemão. Em 1907, por ocasião da 1ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, Clara foi coautora de uma resolução (aprovada) em que se exigia “direito a voto; igualdade de oportunidades e de salários para igual trabalho e proteção social à mulher e à criança”.1

clara dia da mulher  Clara Zetkinpage alexandra kollontai 1  Alexandra Kollontai

 Na verdade, vários acontecimentos levaram à criação de um dia especial para as mulheres. Um deles foi o incêndio numa fábrica de camisas em Nova York, Triangle Shirtwaist Company, ocorrido em 25 de março de 1911, que mataria 146 pessoas, das quais 129 eram mulheres. O número de vítimas se explica pelas péssimas condições de trabalho e porque uma porta estava fechada para impedir a fuga das trabalhadoras, dentre essas mulheres, a maioria eram judias e algumas tinham apenas 14 anos de idade. Vide foto a seguir:

C:\Users\Marketing\Pictures\BLOG\fabrica incendiada.PNG

Após o trágico incidente, a legislação de segurança para incêndios foi reformulada e as leis trabalhistas foram revisadas e muitas conquistas foram adquiridas.

Na década de 60, na sequência de notícias publicadas em jornais alemães e franceses foi criado o mito de uma suposta greve que teria ocorrido em 8 de março de 1857, em Nova York. Mas, essa greve não aconteceu.

Com as transformações trazidas com a Segunda Revolução Industrial e, após a manifestação das mulheres russas, que determinaria a escolha do dia 8 de março, as fábricas incorporaram as mulheres como mão de obra barata. No entanto, devido às condições insalubres de trabalho, os protestos eram frequentes.

Também nas primeiras décadas do século, as mulheres começam a lutar pelo direito ao voto e à participação política.

Apesar disso, por muito tempo, a data foi esquecida e acabou sendo recuperada somente com o movimento feminista nos anos 60. Em homenagem à luta e às conquistas das mulheres, o Dia Internacional da Mulher foi definitivamente instituído pela ONU no ano de 1975, sendo que a escolha do dia 8 de março está relacionada com a greve das operárias russas de 1917.

Atualmente, além do caráter festivo e comemorativo, o Dia Internacional da Mulher ainda continua servindo como conscientização para evitar as desigualdades de gênero em todas as sociedades.

Curiosidades sobre o Dia da Mulher

5 de setembro é comemorado o “Dia Internacional da Mulher Indígena” instituído em 1983. A data é uma homenagem à mulher quéchua Bartolina Sisa, esquartejada durante a rebelião anticolonial de Túpac Katari, no Alto Peru (atual Bolívia).

25 de novembro é comemorado o “Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher” instituído em 1981, no “Primeiro Encontro Feminista da latino-americano e do Caribe”, e oficialmente adotado pela ONU em 1999. A data marca o assassinato das revolucionárias dominicanas “Irmãs Mirabal”.

25 de julho é comemorado o “Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra”. A data, instituída em 2014, é uma homenagem à líder quilombola que viveu no Brasil no século XVIII.

Évelin Ribeiro

Évelin Ribeiro

• Esteticista e Fisioterapeuta Responsável Técnica da Fismatek • Especialista em Eletroterapia e Terapia Intensiva • Mestre em Terapia Intensiva

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.